Crônica de Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem,
caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes
teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a
razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por
magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-
se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o
outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos
piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se
espera.
Você ama aquela petulante
você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu,
você deu flores que ela deixou a seco.
você gosta de rock e ela de chorinho,
você gosta de praia e ela tem alergia a sol,
você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo,
nem no ódio vocês combinam.
Então?
então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa
imobilizado,
o beijo dela é mais viciante do que LSD,
você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.
isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste.
ele diz que vai e não liga,
ele veste o primeiro trapo que encontra no armário.
ele não emplaca uma semana nos empregos,
e está sempre duro, e é meio galinha.
ele não tem a menor vocação para príncipe encantado
e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito
manteiga.
Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve
poemas.
Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim, você é inteligente.
Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma
equação matemática:
eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao
SPC.
ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
honestos existem aos milhares, generosos têm às
pencas, bons motoristas e bons pais de família, ta assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é!
Pense nisso.
ARNALDO JABOR
- Postado por: kat às 01h20
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"(...)
Tudo está na natureza
encadeado e em movimento -
cuspe, veneno, tristeza,
carne, moinho, lamento,
ódio, dor, cebola e coentro,
gordura, sangue, frieza,
isso tudo está no centro
de uma mesma e estranha mesa
Misture cada elemento -
uma pitada de dor,
uma colher de fomento,
uma gota de terror
O suco dos sentimentos,
raiva, medo ou desamor,
produz novos condimentos,
lágrima, pus e suor
Mas inverta o segmento,
intensifique a mistura,
temperódio, lagrimento,
sangalho com tristezura,
carnento, venemoinho,
remexa tudo por dentro,
passe tudo no moinho,
moa a carne, sangre o coentro,
chore e envenene a gordura
Você terá um ungüento,
uma baba, grossa e escura,
essência do meu tormento
e molho de uma fritura
de paladar violento
que, engolindo, a criatura
repara meu sofrimento
co'a morte, lenta e segura
(...)"
*Extraído do livro "Gota D'água" (págs. 160 e 161), de Chico Buarque e Paulo Pontes
- Postado por: kat às 23h20
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cheguei!!!!!
e ai pessoas! to começando esse blog novo! espero q gostem e comentem!!
bjs... 
- Postado por: kat às 10h35
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